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Torneios High Stakes são lucrativos? O que o debate entre Mateos e Negreanu revela sobre o poker de elite

Publicado em 02 de outubro de 2026
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Torneios High Stakes são lucrativos? O que o debate entre Mateos e Negreanu revela sobre o poker de elite

O debate que expõe a realidade financeira do poker de elite

Quando dois dos maiores nomes do poker mundial divergem publicamente sobre a lucratividade dos torneios mais caros do planeta, a comunidade inteira para para ouvir. Foi exatamente isso que aconteceu quando Adrian Mateos, um dos jogadores mais consistentes da última década, contestou abertamente as declarações de Daniel Negreanu sobre a dificuldade de se lucrar nos torneios high stakes, especialmente os da Triton Series.

Em entrevista à Winamax, seu patrocinador, o espanhol foi direto: Negreanu "não conhece o circuito". Segundo Mateos, o canadense joga apenas torneios soltos, não viaja para fora dos Estados Unidos com frequência e, portanto, não tem a vivência necessária para opinar com propriedade sobre os números do circuito internacional de alto nível.

Debate sobre lucratividade real nos torneios high stakes de poker
Fonte: Mundo Poker

A declaração é forte, especialmente considerando que Negreanu é amplamente reconhecido como o maior embaixador da história do poker. Mas será que Mateos tem razão? E, mais importante, o que esse debate revela para jogadores de todos os níveis sobre a realidade econômica do poker competitivo?

Os números por trás do glamour: quanto realmente se lucra?

Para entender a profundidade dessa discussão, é preciso analisar os números. Stephen Chidwick, outro nome de peso no cenário high stakes, já havia declarado publicamente que seu lucro real está entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões, apesar de acumular quase US$ 80 milhões em premiações ao longo da carreira. Isso significa que o lucro líquido de um dos melhores jogadores do mundo pode representar algo entre 6% e 12,5% do total de premiações recebidas.

Debate sobre lucratividade real nos torneios high stakes de poker
Fonte: Mundo Poker

Para quem está de fora, esses números podem parecer chocantes. Afinal, como alguém que ganhou dezenas de milhões em premiações pode ter lucrado "apenas" uma fração disso? A resposta está nos custos brutais do circuito: buy-ins altíssimos, viagens internacionais constantes, hospedagem em locais de alto padrão, coaching, staking e a própria variância inerente ao jogo.

Mateos concordou com os números de Chidwick, mas fez uma ressalva crucial: a rentabilidade varia enormemente de jogador para jogador. Segundo o espanhol, poucos profissionais conseguem manter um ROI acima de 5% nos torneios mais caros, enquanto a verdadeira elite — um grupo seleto de talvez 10 a 15 jogadores no mundo — pode alcançar retornos de 20% a 30%.

O que é ROI e por que ele importa tanto no poker?

O ROI (Return on Investment), ou Retorno sobre o Investimento, é a métrica mais importante para avaliar a lucratividade de um jogador de torneios. Ele é calculado dividindo o lucro líquido pelo total investido em buy-ins e multiplicando por 100.

É importante notar que o ROI tende a diminuir conforme os buy-ins aumentam. Um jogador pode ter um ROI de 50% em torneios de US$ 1.000, mas ver esse número cair para 10% ou menos em torneios de US$ 50.000 ou US$ 100.000, onde o field é composto quase exclusivamente por profissionais de altíssimo nível.

Negreanu está errado ou apenas desatualizado?

Para ser justo com Negreanu, suas declarações não são completamente infundadas. O canadense tem uma perspectiva válida: os torneios super high roller são, de fato, extremamente difíceis, e a maioria dos jogadores que se aventura nesse nível não lucra no longo prazo. O que Mateos contesta é a generalização.

Negreanu, aos 50 anos e com uma carreira que se consolidou em uma era diferente do poker, talvez não tenha a mesma imersão no circuito internacional atual que jogadores como Mateos, que viaja o mundo inteiro disputando praticamente todos os eventos de alto buy-in. O espanhol tem três braceletes da WSOP e mais de US$ 45 milhões em premiações, e sua rotina de torneios high stakes é consideravelmente mais intensa que a de Negreanu nos últimos anos.

Outro ponto relevante é que o circuito mudou. Com a ascensão de jogadores recreativos bilionários em séries como a Triton, os fields se tornaram mais soft do que muitos imaginam. Enquanto as mesas finais costumam ser dominadas por profissionais, a presença de empresários e entusiastas nas fases iniciais contribui para aumentar a expectativa de lucro dos melhores.

O que jogadores comuns podem aprender com esse debate?

Mesmo que você nunca vá disputar um torneio de US$ 100.000, esse debate traz lições valiosas para jogadores de qualquer nível:

Um debate que está longe de terminar

Outros jogadores de peso já se manifestaram sobre o tema. Yuri Dzivielevski, brasileiro que é referência no cenário high roller mundial, também comentou recentemente sobre os torneios mais caros. Mike Matusow, veterano polêmico, trouxe sua perspectiva, e certamente outros nomes continuarão alimentando essa discussão.

O que fica claro é que o poker de elite não é o mar de dinheiro fácil que muitos imaginam ao ver premiações milionárias. Ao mesmo tempo, como Mateos argumenta, para os verdadeiramente excepcionais, o circuito high stakes pode ser sim altamente lucrativo — desde que se tenha o nível técnico, a disciplina financeira e a dedicação necessários para competir contra os melhores do mundo, torneio após torneio, ano após ano.

A verdade, como quase sempre no poker, provavelmente está em algum lugar entre as posições de Negreanu e Mateos. E é justamente essa complexidade que torna o jogo — e o debate sobre ele — tão fascinante.

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Fonte original
Adrian Mateos contesta Daniel Negreanu e revela quanto a elite pode lucrar nos torneios high stakes: “ele não conhece o circuito”